O Brasil é um país abençoado pois possui oportunidade de utilizar todos os tipos de tecnologias para geração de energia elétrica, garantindo a sustentabilidade e também de maneira ecologicamente correta.
É o país que mais utiliza a energia renovável através de geração de origem hidro e biomassa. Encontra-se atualmente investindo em usinas eólicas e térmicas convencionais. É um país líder mundial de energia limpa, porém atualmente, infelizmente, inicia um processo de utilização de energia que irá impactar esta liderança, é a utilização de geração elétrica utilizando como combustível hidrocarbonetos. Fator este, que poderá ser atenuado com a tecnologia discriminada no Plano Decenal de 2019, recentemente colocado para avaliação pública, “a tecnologia nuclear”.
Como é de conhecimento dos órgãos de planejamento do setor elétrico, e freqüentemente mencionado pelo Ministério de Minas e Energia, a partir de 2025/2030 não existirá mais disponibilidade de aproveitamentos hídricos de porte para geração de energia elétrica, pois, pela avaliação das autoridades existem disponíveis atualmente 260.000 MW hídricos, com aproximadamente 90.000 MW já aproveitado, 90.000 MW em desenvolvimento e os restantes em terra indígenas de impossível aproveitamento. Portanto, para o atendimento de energia elétrica de base existem duas possibilidades: a geração de energia elétrica através de usinas termoelétricas utilizando como combustível urânio e carvão.
A tecnologia de geração de energia utilizando carvão é altamente poluente, acrescentando grande quantidade de CO² ao meio ambiente, e sem dúvida alguma, com as pesquisas que estão sendo desenvolvidas para queima limpa, no futuro poderá ser uma solução.
A solução do Brasil para atender o Sistema Integrado Nacional, com energia de base, em um futuro próximo é a geração nucleoelétrica, utilizando combustível nacional, que é o urânio, e não necessitando de importação de qualquer outro combustível, e sem depender de oscilações no preço do combustível.
O Brasil atualmente possui a 7ª reserva mundial de urânio, equivalente conforme mencionado recentemente a 7 bilhões de barris equivalentes de petróleo, significando, segundo dados da ANP, em torno de 50% da reserva de petróleo brasileiro conhecida nesta presente data.
Quando o Brasil iniciou a implantação de geração nucleoelétrica com a construção da Usina de Angra dos Reis, Unidade 1, a Coréia também iniciou com Kori 1 o seu programa nuclear. Atualmente a Coréia possui 20 usinas em operação, gerando 18.400 MW, 6 usinas em construção de 6.800 Mw, exportou recentemente 4 usinas com tecnologia própria e o Brasil, que possui urânio e tecnologia completa do ciclo, só agora inicia a sua terceira usina. No mundo somente três países possuem tecnologia completa do ciclo e urânio. Estes países são: Rússia, Estados Unidos e Brasil.
Acorda Brasil! Vamos utilizar uma energia brasileira que atenda o seu crescimento sustentável e ambientalmente amigável, atualmente existem 12.000 anos-reator sem nenhum acidente e como mostrado no estudo apresentado pelo Paul Scherrer, Instituto da Suíça, baseado em análise de todos os acidentes na indústria no período de 1969 a 1996 que inclui os acidentes de Three Mile Island e Chernobyl, contemplando 13.914 acidentes industriais severos, incluindo 4.290 da indústria de geração elétrica, foi constatado que para cada Terawatt/ano de geração de eletricidade o seguinte:
- fatalidades mundiais por tecnologia: 8 para nuclear, 85 para gás natural, 342 para carvão, 418 para óleo, 884 para hidro e 3289 para gás liquefeito.
É importante ressaltar, que o fator de disponibilidade mundial médio de uma usina nuclear é superior a 90%. No Brasil Angra II atingiu em 2009, o fator de 92%, enquanto as outras tecnologias de usinas térmicas possuem um fator médio inferior, como mencionado no Plano 2019:
- óleo diesel e combustível: de 5 a 8%
- usinas a gás: 27%
- carvão mineral: 50%
- eólica: 30%
São também ressaltados no Plano 2019, que os reduzidos fatores de capacidade, em especial para as termelétricas a óleo diesel e combustível, contribuirão para as baixas emissões de gases de efeito estufa, efeitos estes que mostram mais um fator positivo para as nucleares, pois estas não emitem gases poluentes.
Então, mais uma vez por que não considerar uma energia brasileira, segura e amigável ambientalmente?
O que alegam os opositores a esta energia, é o gerenciamento do combustível queimado e dos rejeitos de média e baixa atividade. Não pretendo aqui abordar em detalhe este tema, porém, no mundo o tratamento de rejeitos tem sido tratado de maneira muito profissional e competente, e além destes fatores as quantidades são pequenas, bem como o combustível queimado em alguns países (ex.: Japão) estão sendo processados e aumentando assim a disponibilidade de combustível para as usinas. Por exemplo, os Estados Unidos que possuem em operação 103 reatores de geração elétrica, que gera aproximadamente 2000 t de rejeitos por ano que podem ser armazenados em almoxarifados de porte médio, tais como os de Angra dos Reis. É um rejeito que não polui e são totalmente controlados.
O Plano 2030, contempla 4, 6 ou 8 unidades nucleoelétricas de 1000 MW, porém para o Brasil ter sucesso na implantação destas unidades é mandatório ser considerada a solução nucleoelétrica no Plano 2019, apresentando claramente as atividades a serem consideradas no Plano no período, para atender os requisitos necessários ao Sistema Integrado Nacional, em 2025/2030.
Em recente publicação o ONS ressaltou a necessidade de pelo menos 1000 MW térmicos no período de 2014-2018. Esta demanda poderia ser atendida em 2018 através de uma usina nuclear, e para tanto, requer providências imediatas.
Se desejarmos ter no futuro uma solução sustentável e ambientalmente correta para o Brasil, temos que incluir no Plano 2019 todas as ações necessárias, para conseguirmos após Angra 3, a próxima usina em operação no período de 2018-2020, atendendo assim as necessidades de energia elétrica de base para o Sistema Interligado Nacional a partir de 2025/2030.
ANTONIO E. F. MULLER
PRESIDENTE
ABDAN – ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DO DESENVOLVIMENTO DAS ATIVIDADES NUCLEARES