Alimentos tratados por radiação foi tema de palestra no estande da Comissão Nacional de Energia Nuclear (Cnen), montado no pavilhão do Ministério da Ciência e Tecnologia, na Universidade Federal do Rio Grando do Norte surante a 62ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência.
Um dos estantes mais disputados era o da Cnem, que licencia, fiscaliza e controla a atividade nuclear no Brasil. O objetivo dos membros da comissão foi justamente desmitificar a aplicação da radiação, de acordo com o químico Elder Magalhães, tecnologista sênior do Instituto de Radioproteção e Dosimetria do Cnen.
Segundo o pesquisador, a irradiação é usada para esterilizar material médico-cirúrgico, como agulha, lâmina bisturi, catéter; para impedir o aparecimentode brotos (brotamento) em alho, cebola, batata; retardar o amadurecimento de frutas e até para exterminar fungos, bactérias e microorganismos dos alimentos.
Diferentemente de outros países da Europa e até da América do Sul, o uso da radiação ainda é muito restrito no Brasil. Para Elder, o brasileiro ainda tem receio de tudo que é seguido pelo termo 'nuclear'. Com interesse pelo assunto, muitas pessoas que visitavam a feira partiam do estande da Cnem para o da estatal Nuclebrás Equipamentos Pesados S.A (Nuclep), que produz equipamentos para plataformas de petróleo, submarinos, navios e usinas nucleares.
Para atrair a atenção dos visitantes, a equipe expôs um reator nuclear e um gerador de vapor, peças consideradas fundamentais na geração de energia nuclear no país.
A estatal é a única do Brasil e da América Latina autorizada a produzir equipamentos para as usinas brasileiras. Além disso, é responsável por fornecer equipamentos para as usinas nucleares Angra 1 e 2, que geram aproximadamente 50% da energia elétrica do Rio de Janeiro e 3% do total do país.